Depois de um lançamento sem muito alarde, começamos a encontrar no mercado de varejo processadores da nova linha Clarkdale da Intel, como o Core i3 530 e os modelos Core i5 6xx. Pelas minhas pesquisas em sites como AnandTech, Xbit Labs dentre outros, reparei que a conclusão é sempre a mesma, colocando o Intel i5 6xx como uma opção relativamente ruim devido ao seu elevado preço para um simples “dual core”, e com desempenho inferior aos concorrentes de preço similar, como o irmão i5 750 que chega a ser mais barato que o i5 661 e 670. O pequeno Core i3 530 recebe sempre a coroa de “bom custo benefício” pelo preço atraente, consumo elétrico baixo e excelente poder de overclock, tudo isso com uma performance justa, rivalizando com alguns quadcores nativos de custo similar. Sendo assim resolvi montar para uso, um sistema baseado em um i3 530 e de quebra optei em escrever uma pequena apresentação da arquitetura Clarkdale, com algumas informações relevantes, além das minhas impressões e testes (incluindo overclock).
Intel Clarkdale: Um Nahalem de quarta geração
Entre novembro de 2009 e Janeiro de 2010, a AMD atacou com agressividade o mercado de processadores, mais precisamente a linha QuadCore oferecendo produtos competitivos com preços na casa dos U$100,00 como o Athlon II X4 620/630, ou até mesmo processadores de dois núcleos da familia Phenom como o Phenom II X2 550. A Intel até então comercializava apenas processadores dual core nesta faixa de preço, como o Core 2 Duo E7500/E7600 que são bons chips, sem dúvidas, mas que já mostram sinais de cansaço, algo normal se considerarmos que sua idade no mercado já passa de 4 anos. O final de sua carreira estava marcada desde o lançamento do Intel Core i7 no final de 2008. A partir deste período a linha Core 2 recebeu apenas retoques, tornando-se uma solução pouco elegante do ponto de vista comercial devido ao custo elevado se compararmos o seu poder computacional com concorrentes diretos. Já os processadores Core 2 Quad baseados na mesma arquitetura perderam espaço para o Core i5 750, pois na maioria dos casos os preços se igualam, mas o desempenho e tecnologias pendem a balança paa o i5 750.
A briga na faixa de U$100 mudou com a chegada dos novos integrantes da linha INTEL Core i3, além de seu irmão maior, o Core i5, e o caçula Pentium G9650 que substituiu a linha Pentium Dual core E5xxx/6xxx. As novidades são várias, a começar pelo processo produtivo, que agora tem transistores com apenas 32nm (contra 45nm nos modelos de linhas anteriores). Outra novidade é a existencia de dois dies no mesmo Chip, um deles o processador propriamente dito com suas memórias cache L1, L2 e L3. No segundo die, fica localizado a a controladora de memória e a GMA. A vantagem nesta separação, é o acesso mais rápido das informações contidas na memória RAM pelo GMA (Video integrado), porém nem tudo é perfeito, esta separação de dies ocasiona um efeito colateral, a comunicação dos Cores com as memórias RAM é reduzida devido a maior latência de acesso entre um die e outro e para ajudar (ou atrapalhar) o projeto utilizado nesta controladora de memória é uma adaptação das controladoras utilizadas nos Chipsets X38/X48e P45, portando controladora de memória de sistemas NetBurst adaptadas para operar em uma plataforma Nehalem. No mesmo chip da controladora de memória, encontra-se também a controladora PCI Express de 16 linhas no padrão 2.0 além de uma placa gráfica (GMA), essa sim podendo ser considerada a grande inovação no mundo dos processadores desktop.

Este vídeo integrado é uma variante do já conhecido “GMA” ou “ou Graphics Media Acelerator” que agora possui suporte ao Direct X 10 e shader model 4,0, além de acesso direto a memória do sistema, o que ajuda na velocidade geral do sistema gráfico.



Como no Lynnfield, o Clarkdale usa o soquete LGA-1156, sendo assim ele é compatível com todas as placas já existentes com o chip P55, bastando em alguns casos um update de bios para seu pleno funcionamento. As Placas equipadas com P55 não fornecem suporte ao vídeo integrado dos Clarkdale, caso o usuário queira se beneficiar deste recurso será necessário a compra de placas novas, equipadas com os novos chips, H55 e H57 e Q57. Estas placas podem vir munidas de conectores DVI, VGA e HDMI, algo esperado uma vez que o foco principal deste tipo de solução é a integração de HTPC’s, já que o novo GMA executa sem grandes problemas conteúdo de vídeo em Full HD.
Os novos chips formam duas séries, a “H” e a “Q” sendo a grande diferença entre o já existente P55 é o uso do FDI, ou “Flexible Display Interface”, ou basicamente uma ligação direta entre o processador e o chipset, que por sua vez repassa o sinal de vídeo diretamente para o conector existente no painel traseiro da placa mãe. A linha “H” é destinada ao usuário domestico e a linha “Q” é destinada a linha corporativa, o numero que sucede as letras são referências aos recursos integrado:
- 55, é a linha mais simples com sistema de gerenciamento de discos mais simples, desprovidos do RAID, por exemplo;
- 57 é a linha para uso em corporações e empresas, possui gerenciamento de disco mais avançado, com o suporte a RAID (0,1,5 e 10), e ainda o “Rapid Intel Storage”, ou “hotplug”, útil em empresas para execução de back ups.
Já estão a venda no mercado seis modelos de processadores, que passam pela linha Core i5 até os novatos Core i3:

Todos estes processadores possuem a mesma arquitetura básica, sendo que a diferença entre eles, é a seguinte:
- Linha i5 possui velocidade de clock maior, além do suporte ao Turbo Boost, que permite que ele aumente a velocidade dos núcleos de acordo com o TDP, recurso similar similar ao usado nos Intel Core i7;
- Linha i3 no geral se assemelha a anterior, exceto pela ausência do turbo boost, ou seja a velocidade máxima será sempre a mesma independente do consumo ou demanda. Estas duas ainda suportam a tecnologia HT (Hyper Threading), que divide as tarefas de acordo com a demanda de cada núcleo, fazendo com que o sistema enxergue e aproveite “4” núcleos virtuais;
- Linha Pentium é a mais simples, é desprovida do turbo boost, possui ainda clocks inferiores, 1 MB a menos de cache L3 além de ser desprovido da tecnologia HT, um chip capado ao extremo.
Todos os modelos da linha Clarkdale possuem o mesmo Vídeo integrado, com pequenas variações de Clock, dependendo do modelo pode operar em 533mhz (Pentium), 733mhz (nos i3 e i5) até 900mhz (i5 661).
Segue uma lista de sites que já publicaram reviews desta nova arquitetura:
http://www.bit-tech.net/hardware/cpus/2010/01/04/intel-core-i5-661-core-i3-530-cpu-review/1
http://www.tomshardware.com/reviews/intel-core-i5,2410.html
http://www.anandtech.com/cpuchipsets/showdoc.aspx?i=3724
http://www.xbitlabs.com/articles/cpu/display/clarkdale-review.html
http://www.xbitlabs.com/articles/cpu/display/clarkdale-sneakpeek.html
Testes de Desempenho
Fiz os primeiros testes com o sistema, usando o 7-zip, com bancos de 32MB além de testes com o x264 Benchmark HD ns versão 3.0. Passei uma rodada de teste de memória do Everest, com o sistema em Stock, 3.3ghz e 3.66ghz.


