nov
28
2009

Placas de Vídeo AMD/ATI – A família HD 5000

Quem viu o lançamento da linha ATI HD 4800 cerca de um ano atrás aprovou o seu excelente desempenho e não imaginou que em 12 meses a AMD/ATI faria novamente a lição de casa, lançando uma linha sucessora de placas de vídeo, capaz de proporcionar em alguns casos até 80% de ganho em desempenho mantendo ainda o consumo elétrico praticamente inalterado.

E foi isso que ocorreu com o lançamento da linha HD 5800 que abalou novamente as estruturas do mercado de placas de vídeo, sendo um produto competitivo, com qualidades recursos e desempenho acima do esperado. E se isto ainda não bastasse, após algumas semanas do lançamento da linha HD 5800 a ATI nos surpreende novamente com o lançamento da nova linha intermediária chamada de HD 5700, que consegue superar ou igualar o desempenho da “antiga” linha de alto desempenho formada pelas já consagradas HD4850/HD4870, aliado a um consumo elétrico até 45% inferior.

Além da força bruta, as novas placas oferecem novos recursos como o sistema “Eyefinity”, que permite conectar até seis monitores simultaneamente e estender a imagem sobre todos eles de forma simples para o usuário e ao sistema operacional, permitindo exibir aplicações gráficas e jogos sem complicações em um sistema multi-display. Possui ainda um excelente sistema de gerenciamento de energia, que possibilitou uma grande redução no consumo em qualquer situação, seja em uso extremo ou em repouso.

Nova forma de nomear as placas:

As Radeon HD 5800 são baseadas no chip “Cypress’. Antigamete a ATI usava códigos alfanuméricos (como o RV770 das Radeon HD 4800) e a partir de agora ela passa a adotar  codinomes, facilitando assim a sua compreensão.

As placas HD 5870 e HD 5850 são baseadas no Cypress, a primeira 100% funcional enquanto a segunda recebe chips com alguns recursos desabilitados e operando sob velocidades de clock menores, atingindo assim uma faixa de desempenho e custo inferior. As placas HD 5770 e HD 5750 são baseadas no chip “Juniper”. E em breve veremos as versões mais simples, como as HD 5550 e HD5350, baseadas nos chips Redwood e Cedar ocupando a linha de baixo custo/HTPC’s, isso sem falar da badalada  “5870X2″ (chamada oficialmente de HD 5970), onde os dois chips Cypress são chamados de “Hemlock”.

Especificações e arquitetura:

A arquitetura base permaneceu praticamente inalterada em relação à antiga série HD 4000. Os Stream Processors (agora chamados pela ATI de Stream Cores), são organizados em grupos de cinco que formam uma SPU “Stream Processing Unit”. Dezesseis dessas SPU’s foram um “SIMD Core”, que é associado a um bloco com quatro unidades de textura. Sendo assim, bastou dobrar o número de SIMD Cores de 10 para 20 para dobrar o número de Stream Processors e unidades de textura se comparado com RV770 das HD 4800.

Foram implementadas uma série de melhorias. Como exemplo, as instruções que antes levariam vários ciclos para serem executadas agora são realizadas em apenas um ciclo. Além de tornar sua execução mais rápida, a AMD inseriu também o suporte a novas instruções e assim prevê que a nova família obtenha pelo menos o dobro do desempenho em compressão de vídeo se comparado a geração anterior.

Para reforçar seu potencial de processamento, as placas passam a utilizar todas essas unidades em cálculos em aplicativos gerais (não apenas em jogos, desde que o software saiba aproveitar os recursos do chip), o armazenamento de informações local (compartilhado por todos os SPs dentro de um SIMD Core) dobrou de tamanho, atingindo 32KB foi ainda adicionado um cache L1 de 8KB em cada SIMD Core. O armazenamento global (compartilhado por todos os SPs da GPU) quadruplicou de tamanho, ficando com 64KB. E a “memória de exportação temporária” também dobrou de tamanho, sendo possível enviar 64 palavras de 32 bits por ciclo de clock até a memória física da placa.

O Cypress ainda não tem suporte a memórias com ECC (código de correção de erros), mas conta com um recurso chamado pela ATI de “EDC” (Error Detection Code, ou código para detecção de erros) que adiciona códigos de verificação de Redundância Cíclica aos dados alocados na memória, verificando assim se são consistentes quando voltarem de lá, se for detectado algum erro basta ao sistema solicitar sua retransmissão. Isso é muito importante para garantir a consistência dos dados em aplicações GPGPU, tornando viável seu uso em aplicações profissionais.

A série Evergreen conta com suporte a HDMI 1.3a, sendo assim as placas possuem uma porta HDMI nativa suportando “bitstreaming” do áudio. Portanto a placa repassará o áudio em “Dolby True HD” ou “DTS-HD Master Audio” para o receiver, sem alterações do jeito que vier da midia BluRay, assim nada poderá interferir na qualidade.

Disponibilidade e preço:

O grande calcanhar de Aquiles desta nova linha é justamente o responsável pela produção dos Chips, a TSMC, que passa por dificuldades na produção de chips no processo de 40nm, com o baixo rendimento de chips sadios por “bolacha” de silício. Espera-se que em breve a produção seja normalizada, uma vez que a NVIDIA também estará migrando suas GPU’s para o processo litográfico de 40nm, utilizando por coincidência a TSMC como única produtora dos seus GPU’s.

O problema maior não se limita apenas ao volume de produção, com a escassez de placas no varejo, o preço subiu, e em alguns casos o preço supera o valor de tabela imposto pela ATI, gerando até ágio para a compra. Porém são placas com custo x benefício tão bom que mesmo com preços ligeiramente acima do esperado ainda são muito competitivas e excelentes opções se observado o consumo elétrico, desempenho e o silencio na operação dos coolers (quem possuiu uma HD4850 com projeto de referencia deve se lembrar das temperaturas absurdas, que ultrapassavam facilmente os 90°c devido ao cooler mal dimensionado, e para melhorar essa fornalha aceleravam-se os ventiladores, gerando um ruído acima do considerado confortável).

As falhas técnicas da geração anterior foram corrigidas, o desempenho melhorou muito, o consumo consumo elétrico foi otimizado e, sendo assim, é difícil encontrar motivos para não escolher uma placa da série HD 5000 para seu upgrade ou novo PC.

Em breve incluíremos um novo post com o desempenho destas placas nos jogos mais conhecidos.

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3 Comentários »

  • marcelo berti disse:

    Não sou fanboy da ATi e AMD, já usei bastante a linha da nVidia. Mas ultimamente a linha HD 4000 e 5000 da ati colocou tudo que o consumidor queria em um único produto: Bom, Bonito, Barato, Econômico (energia), e com recursos inovadores (Eyefinity) e melhorias esperadas (aVIVO, Directx11).
    Mas como nem tudo são flores, a ATi ainda carece de um suporte de drivers decentes, principalmente quando se trata de linux. E quando se trata em usar a gpu para cálculos físicos, o Physx é a referência que vêm na cabeça.

    Enquanto a ATi investe no p&d para pôr carvão na fornalha, por enquanto a nVidia parece que quer atingir o mercado que a ATi dominou(o consumidor de baixo custo) com a série gtx210~240. A tendência se inverteu. Será que é a vez da nVidia dar o troco, com a tão esperada série gtx300? Ela vai trazer somente mais poder de fogo, ou vai vir com mais recursos?

    http://www.ngohq.com/graphic-cards/16223-nvidia-disables-physx-when-ati-card-is-present.html

    ps: segundo nota oficial da nvidia, desmentindo boatos, a globalfoundries(fábrica da AMD) não produzirá os chips, somente a TSMC.

    http://www.eetindia.co.in/ART_8800544091_1800007_NT_1239383b.HTM
    http://www.xbitlabs.com/news/other/display/20091108225224_Nvidia_s_Chief_Executive_Says_No_to_Globalfoundries_Microprocessors.html

  • Caro Marcelo, obrigado pela participação!

    Realmente a linha AMD/ATI demonstra em seus produtos, tudo que o consumidor desejava, como preço, qualidade, desempenho e consumo reduzido, isso sem contar no silêncio em sua operação.
    O fato da nvidia enfatizar o uso do Physx como “diferencial” em suas placas de vídeo não é muito válido se o comprador for mais racional pois são placas antigas e renomeadas a pelo menos 3 “gerações”, sedentas por energia elétrica e ainda assim caríssimas, lembrando que isso é apenas minha opinião.

    Existem sim vários jogos com suporte a Physx no mercado, porém apenas 2 ou 3 deles (como Mirros Edge ou Batman) mostram algum efeito mais vistoso para os jogadores, os demais títulos se limitam a efeitos como copos caindo da mesa ou ricochete de balas com animação e brilho, efeitos bonitos? Sim são de fato, mas que não alteram em nada na jogabilidade e a diversão.

    Um fato importante a ser levado em consideração é a execução de conteúdo full HD, que está em plena expansão, e muitas pessoas já possuem sistema Home Theater ligados em seus computadores, sendo este mais um ponto a ser levado em consideração na hora da compra de uma placa de vídeo como suporte a HDCP, com encoder e decoder de conteúdo HD, e no caso das placas HD4000/5000 um sistema de som 7.1ch Digital, tudo isso transferido por uma conexão HDMI, que na série 5000 ainda possui suporte a HDMI 1.3a, suportando bitstreaming como citado no texto do blog.

    Em resumo nem só de games vive um usuário mediano/avançado de PC’s, pensando de uma forma mais abrangente na maioria dos casos uma Placa AMD das séries HD4000 ou 5000 são mais atraentes em suas especificações do que uma Nvidia, e na minha opinião elas possuem mais tecnologias embarcadas se comparada com as concorrentes diretas da linha Nvidia.

    Cabe ao jogador que irá adquirir a placa de vídeo para sua diversão, colocar na balança quais tecnologias e recursos serão decisivas e importantes para seu dia a dia.

    Abraços

  • Henrique Fockink disse:

    Sempre usei nVidia, sempre fui fã dela, mas agora, migrei para a ATI, e não sinto tanta falta do Physix. Eu possuia uma GeForce 9600GT, e estava muito satisfeito com a VGA, rodava tudo que eu queria muito bem. Quando troquei de VGA, dia 20 de janeiro (2010), comprei uma ATI Radeon HD5750, depois de muito pesquisar (www.tomshardware.com) e ver que se tratava de uma boa troca. De fato, não me queixo de nada, como disse, o Physix não me fez falta, ganhei em desempenho e valor agregado, afinal, tenho agora, além das duas DVIs (que a 9600GT tinha) uma HDMI, que acho excelênte do ponto de vista prático, para ligar em TVs, e uma porta Display port, que ainda não sei pra que serve, mas o Google é meu amigo :D .

    Em relação ao caro Marcelo, concordo com a questão de driver para linux, mas infelizmente, a maioria que gera lucros para a ATI ainda é Windows, mas quem sabe um dia isso melhore ;)

    Enfim, para que tiver a dúvida, de trocar ou não, e bom ou não, eu posso dizer que fui feliz na troca. Sem falar que a nova VGA consome menos energia.

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